O “até que a morte nos separe” está definitivamente fora de moda. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas se desconectam com a mesma velocidade com que imergem em novas relações. Tudo é efêmero e romper parece ter ficado mais fácil que investir.

É inegável a capacidade de interação proporcionada pelas novas tecnologias, entretanto, na maioria das vezes elas constituem relações com baixo nível de comprometimento, facilmente rompíveis. Essa descartabilidade é impulsionada pelas redes sociais, que permitem que com um simples clique seja possível “apagar” uma pessoa.

Além da facilidade de desconexão, nunca houve tanta liberdade na escolha de parceiros, nem tanta variedade de modelos de relacionamentos. Isso acaba gerando uma sensação de vazio, refletindo uma busca sem fim por parcerias mais satisfatórias.

Essa ausência de comprometimento pode ser levada para outros campos, inclusive o das marcas e produtos/serviços. Nesse mundo dinâmico e de excessos, despertar a atenção do consumidor é o maior desafio das empresas. Com a expansão de formatos, tamanhos e promessas, a tomada de decisão ficou mais difícil e a satisfação plena algo quase inatingível.

A vida padronizada podia ser menos estimulante, mas oferecia mais segurança. Era comum uma marca entrar nos lares e permanecer por anos como a preferida pelas famílias. Mas hoje, com tantos estímulos e opções, fica difícil manter-se fiel.

Até poucos anos atrás, só era possível encontrar apenas duas versões de um mesmo produto; a versão tradicional e sua versão light. Hoje, para comprar um simples leite é necessário estudar antes de sair de casa. Além da versão tradicional e da versão light, é possível encontrar mais de 15 outras variantes, como semidesnatado, pasteurizado, de soja, reforçado com cálcio, reforçado com vitamina D, com baixo teor de lactose, com zero lactose…

Nesse contexto de excessos e de extrema descartabilidade, não é de estranhar que as marcas se estapeiem por espaço, por atenção, por um lugar na mente e no coração do consumidor.

Adaptar-se a esse novo consumidor, totalmente impactado pelo avanço das tecnologias em seus valores e atitudes, consiste na nova seleção darwiniana. Marcas que não acompanharem o ritmo serão facilmente descartadas e substituídas por versões mais modernas e satisfatórias. E a vida útil dessas durará até que outras marcas mais modernas e satisfatórias cheguem ao mercado.

por Clarissa Sá

Diretora de Criação da Content House