Acredito que estamos aqui porque gostamos do que fazemos. Esse é o ponto de partida para o sucesso. O clichê “tudo que a gente faz com amor é bem melhor” é realmente uma verdade absoluta. Mas espera aí, você se lembra daquela outra parte chata chamada obrigação? Felizmente ou infelizmente é ela quem comanda o ponteiro do relógio. Grande parte das pessoas enxerga isso como um desafio, outra parte, como um motivo para repensar sua vida daqui pra frente. Ninguém gosta de se ver preso a algo porque TEM que estar e não somente porque QUER estar. É como se fosse um blur da liberdade. E como escudo, a gente usa a desistência. Ou o modo automático.

Podemos observar diversos casos em que a capacidade de executar algo é evidente em pessoas específicas. Chamamos de dom? Talvez. Seja lá qual for o nome, o sentido é sempre o mesmo: fazer o que se tem vontade. Um canal no youtube, um texto no tumblr, fotos conceituais no instagram ou até mesmo cupcakes caseiros são iniciativas que as pessoas tomam a partir do que elas gostam de fazer, do que elas sabem fazer.

Claro que com o avanço incontrolável do mundo, inclusive digital, há pessoas que usam isso como forma de ganhar dinheiro e ponto final. Certamente elas não entram neste texto. Não que as pessoas que fazem porque gostam não tenham o intuito de se beneficiarem financeiramente; elas querem, é lógico, até porque é a lei da sobrevivência, unir o útil ao agradável. A questão é que, com essas pessoas, há todo um conceito por trás da coisa, causando uma espontaneidade e, consequentemente, fazendo com que dê muito certo.

Ótimo, fazer dar certo é o objetivo, então qual é o problema? Dar certo significa progresso, sequência. A coisa precisa andar, e ela anda, anda, e depois de muita caminhada, o modo automático começa a ser ativado pela obrigação, lembra? E aquilo que era feito por paixão passa a ser feito SOMENTE pelo fato de que precisa ser feito. Há quem desista, e normalmente essas pessoas se arrependem. É como um relacionamento amoroso em que o casal passa a viver na zona de conforto, mas ainda existe amor, e esse é o motivo para que continuem. Acontece exatamente a mesma coisa na vida profissional. Você precisa manter-se motivado constantemente pelo princípio de tudo, o amor.

“Não, por favor, não me venha com essa.” Vou, e digo mais: é essa resistência em acreditar que isso pode ser um ponto crucial que te faz chegar nesse ponto final que parece irreversível. Então, que tal trocar essa conclusão por pontos de exclamação? Exclame os momentos, as atividades e tudo o que te fez tomar a atitude de dar início à algo.

É importante ter um apego às obrigações e às responsabilidades, mas não deixe que elas sejam maiores que o seu amor pela coisa. Resgate sempre essa essência, o foco é seu próprio interior, o mesmo que te fez caminhar. Encare os deadlines como lombadas, que você ultrapassa devagar, atenciosamente, obrigatoriamente, mas ultrapassa, até chegar à próxima. Trate tudo isso como desafios, se desafie. Sinta-se privilegiado por poder exercer esses times com suas melhores cartas na manga, o que você sabe fazer. Reverta a situação e imagine como seria fazer tudo isso como aquela exceção de que o objetivo final é unicamente monetário. Imagine o amor como um hobby e não como um start.

Aposto que são suposições angustiantes. É isso, veja como as obrigações são só consequências de uma vida incrível que você mesmo se proporcionou. E no final, sinta-se realizado, e não refém da obrigação.

Por Bárbara Bergamasco

Redatora na Content House